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Jornalismo, freelancing, social media... e as estórias por detrás de tudo isto. Por Patrícia Raimundo

Últimos artigos publicados: Portugal Daily View

O Portugal Daily View, site de notícias sobre Portugal em inglês, é a minha mais recente colaboração. O objectivo do projecto produzido e publicado pela Webtexto é fornecer informação actual sobre as mais diversas áreas - da economia à política, sem esquecer o desporto, a cultura ou o lazer - a cibernautas de todo o mundo.

Lisbon clubs: five great places to go dancing all night long é a minha primeira contribuição para a secção de lazer e já está online.

[O Portugal Daily View também está no Facebook]

O barato sai caro

Tenho visto por aí alguns anúncios para freelancers que oferecem 1 dólar, e outras vezes menos, por peça. Nunca respondi a nenhum porque acho o modelo de negócio pouco justo e transparente, para além de o valor me parecer ofensivo, mas por vezes pergunto-me se há muita gente a querer vender o seu trabalho por tão pouco (dinheiro e motivação).

A equipa do Renegade Writer também anda intrigada com estas e outras pechinchas. Do you write for cheap? Read this. é um excelente artigo que reforça a ideia de que de nada vale ser o freelancer mais barato do mercado. Porque também nestas coisas, o barato pode acabar por sair caro.
"Writing is undervalued by many. But if businesses that use writing value the work, skill, and knowledge that goes into a 1,000-word article at a measly $10, it’s partly because there are hordes of writers willing to write for that much!"

Daily Digital

Recém-criado, o Daily Digital é uma espécie de loja de conteúdos online onde cada freelancer pode mostrar e vender o seu trabalho de forma simples. Cada utilizador dispõe de uma "montra" onde pode expor textos, vídeos, fotos, música ou qualquer outro conteúdo e vendê-lo ao interessado através de um simples download.

O serviço é gratuito, mas a cada venda efectuada, o Daily Digital fica com uma comissão de 15%.

Vou fazer uma experiência e depois conto tudo aqui.

[Dica de Maurice Cherry]

Marketing

No dia em que fiz aqui o balanço dos nove meses, saí para jantar com uma amiga que enfrenta agora novos desafios profissionais. Durante a refeição, dei comigo como que a "pregar" as vantagens do freelancing e a dar conta de alguns pormenores destes primeiros nove meses sem deixar, claro, de colocar os prós e os contras no respectivo lado da balança.

Reflectir sobre esta opção profissional e verbalizá-la - primeiro no blog, depois à mesa - fez com que me apercebesse de algumas coisas. Uma das mais importantes, talvez, foi ter tomado consciência de que, nestes primeiros tempos, tenho trabalhado a meio-gás; a minha produtividade está a uns 50 ou 60% - sei que consigo fazer mais. E, a meu ver, isto tem acontecido porque existem tarefas extra associadas ao freelancing que não podem ser ignoradas. A contabilidade é uma delas. O marketing é outra.

Boa parte do meu dia é ocupada com tarefas relacionadas com a promoção do meu trabalho e a angariação de novos clientes. Envio propostas e cvs, contacto potenciais colaboradores, pesquiso, faço networking, organizo estratégias, alimento o blog, dou a conhecer trabalhos já feitos, recupero colaborações antigas, reinvento-as. O marketing é fundamental para que uma carreira como freelancer corra sobre rodas. Há dias em que os resultados de tanto trabalho e empenho são bem visíveis, mas nem sempre é assim. Como diz Chris Bibey, o marketing tem altos e baixos e não podemos simplesmente deixá-lo de lado se os resultados não são bem os esperados.

Pessoalmente, não me posso queixar. Não tenho dúvidas de que grande parte do trabalho que consigo se deve a este esforço extra. O desafio está em conciliar o trabalho propriamente dito com todas as outras tarefas inerentes ao trabalho por conta própria, e esticar a produtividade ao máximo. Um work in progress que faço questão de agarrar com duas mãos.

Como o digital transformou as notícias

Vale a pena ler as reflexões de Martin Belam sobre jornalismo digital e atentar nos conselhos que dá em How digital transformed the news cycle - and what you can do about it.

[Dica de António Granado]

Publicar além-fronteiras

Sarah Marshall dá uma óptima sugestão no Journalism.co.uk que todos os jornalistas freelancers deveriam ter em conta: se temos os direitos das nossas peças, porque não vendê-las além-fronteiras?

Algumas dicas para começar em How to: syndicate freelance articles abroad.

Ainda os furos

No mês passado, Felix Salmon dava conta da sensação que tinha sempre que lia uma notícia: ela estava em todos os meios, mas não foi dada por nenhum primeiro. Esta sensação, de que eu também partilho, levou-o a reflectir sobre o "scoop ecosystem" e a possibilidade de estarmos a assistir ao fim da ideia de cacha.

Agora é Amy Gahran a expor outra ideia interessante relacionada com a cultura do furo jornalístico: neste caso, não é apenas a iminente extinção da cacha que está em causa, mas o facto de esta ser prejudicial para o jornalismo. Vale mesmo a pena ler esta pertinente reflexão em Why the "scoop" is bad for news.

[Dica de Steffen Konrath]

Quem tem medo da publicidade?

Robert Niles diz que não há motivos para os jornalistas terem medo da publicidade e dos publicitários.
Why journalists shouldn't be afraid of advertisers - vale mesmo a pena ler.

Há público para os conteúdos web de qualidade

Um pouco na mesma onda da série de três posts que Paul Bradshaw apresentou recentemente, multiplicam-se as opiniões sobre os artigos de fundo e os conteúdos de alta qualidade na Internet. E sobre o assunto, vale mesmo a  pena ler o que diz Robert Niles em The 'high-quality Web content' experiment has *not* failed -but some news publishers have. 
"There's still huge demand for news and analysis out there. And the Internet's providing new channels through which to meet that demand. So don't blame the audience, or blame the Internet, whenever a particular business fails to make enough money by putting audiences and customers together through those channels.
Put the blame where it belongs, instead - with that business's management."

Contornar a instabilidade dos rendimentos

Há precisamente nove meses, quando decidi encarar o freelancing como uma opção válida de vida e de carreira, não fazia ideia se seria capaz de resistir mais que um ou dois meses. A gigantesca instabilidade dos rendimentos poderia deitar tudo a perder em pouco tempo.

Passada a prova de fogo - os decisivos dois primeiros meses -, tomei-lhe o gosto. A minha vontade de continuar a trabalhar por conta própria, mesmo que isso signifique que a incerteza estará sempre presente, saiu reforçada e o tempo passou tão depressa que nem voltei a fazer balanços. Até agora.

De repente, já passaram nove meses. E a primeira ideia que me vem à cabeça é esta: não sei bem como, mas... sobrevivi.


Ou melhor, até sei. Para se ser freelancer é preciso vermo-nos como tal. E vivermos como tal, aceitando o que de bom e de mau o freelancing traz. E isso pode implicar, entre outras coisas, ter métodos de gestão diferentes. Gestão do tempo, das energias, do dinheiro.

Para a maior parte dos freelancers, gerir o tempo e a energia parecem tarefas mais fáceis, já a gestão do dinheiro... Para mim, o primeiro passo deve ser este: aceitar que a instabilidade dos rendimentos faz parte do negócio e viver de acordo com isso da melhor forma possível. É muito provável que, como freelancer, tenha que jantar menos vezes fora e convidar mais os amigos para vir cá a casa, que tenha de ponderar bem cada compra e, tantas vezes, de fazer escolhas e estabelecer prioridades, porque há que estar preparado para um mês menos bom. Depois, há o lado do investimento. Trabalhar por conta própria exige investimento constante - de tempo e, claro, de dinheiro.

Não há fórmulas mágicas nem regras que estiquem o dinheiro. Mas há formas criativas de contornar a instabilidade dos rendimentos e de viver bem com isso. Martha Retallick apresenta algumas em Proven solutions to freelance income fluctuation e LaToya Irby dá algumas dicas para fazer face às despesas extra, como o seguro do carro ou o IRS em Tips to manage those large, periodic expenses.